domingo, 3 de junho de 2012

Corações involuntários

Corações involuntários é um projeto que reúne no Facebook e outras redes sociais imagens aleatórias que acabaram formando corações.

Tem comida, nuvens, árvores, objetos do dia-a-dia, poças de água, qualquer coisa que misteriosamente tome uma forma especial.

O Viver de Chamego também encontrou Corações involuntários por aí, dias atrás enquanto eu fazia o almoço, reparei na forma mais que visível de uma marca na tábua de bater bife, adivinha só o que era?


E você, quer ver mais corações involuntários espalhados por aí ou enviar o seu próprio? Corre lá na página do projeto e saiba mais a respeito: https://www.facebook.com/CoracoesInvoluntarios

São Paulo é uma cidade de coisas despercebidas

Em 2002 a jornalista Vanessa Barbara escreveu "São Paulo é uma cidade de coisas despercebidas". Agora, 10 anos depois me encontro aqui no meio dos perdidos (ou desapercebidos) com uma revista entre as mãos e leio: "São Paulo é uma cidade de coisas despercebidas".

Mais não posso dizer, deixo aqui a leitura e confirmação de que existe muito em comum comigo em algumas cabeças por aqui.


São Paulo é uma cidade sem crianças. É uma cidade onde não se pode olhar para os lados senão pelo reflexo das janelas ou dos óculos escuros; onde não é permitido obter ou prestar atenção. São Paulo é uma cidade sem muito amor nem muito ódio, onde os que choram no ônibus são ignorados, os que pedem informações ganham um olhar desconfiado e os que cantam - pobres dos que cantam - são advertidos por um funcionário de cinza, com o estatuto interno do Metrô. Na rampa da estação Santana, é proibido brincar de escorregador.

São Paulo é uma cidade em que ninguém tem o direito de surpreender, a não ser os loucos, as crianças e os velhos. Todas as terças e quintas de manhã, dezenas de velhinhos dançam bolero, tango e rumba no Sesc Ipiranga. Enquanto isso, um outro senhor opta pela corrida de resistência: Tuplet Vasconcelos, um magro cidadão de 85 anos, já participou de 114 maratonas nos últimos quinze anos, tendo completado a Corrida Internacional paulista de 1999 em cinco horas e quarenta e cinco minutos. Deixou pra trás centenas de competidores. Há velhinhos que jogam dominó; outros tomam aulas especiais de saúde na Universidade Federal de São Paulo. A maioria anda devagar pelas ruas, em total contradição com o ritmo da cidade.

Há, ainda, os que vagam pelos metrôs a esmo, como um certo senhor sentado no banco cinza, a quem uma mulher perguntou: “Este trem vai pro Jabaquara?”, e ele suspirou: “não sei”. A réplica não demorou: “mas para onde é que ele está indo?”; novamente um suspiro e a resposta: “Olha... não sei”.

Nas ruas de São Paulo, todos sabem para onde vão; programam-se para caminhar em linha reta, rumo ao horizonte, e vão atropelando hidrantes, cachorros quietos e criancinhas perdidas. Próximo à entrada dos fundos da USP, junto à Marginal Pinheiros, uma mulher sem-teto gritava, de longe, para o filho de uns 9 anos: “Onde é que tá o Caio?” - e o menino dava de ombros, fazendo um “sei lá” engraçado com o corpo todo. Tinha um olhar meio sapeca, e escondia atrás dele uma caixa enorme de papelão (que se limitava a ficar de pé, impassível). A moça já estava virando as costas, conformada, quando a caixa caiu no chão de repente, em meio a um barulho enorme. E, de dentro, após um penoso esforço para empurrar as abas, saiu engatinhando um menino pequeníssimo, minúsculo mesmo, nem ligando para essas coisas da vida; queria apenas saracotear o mais rápido que podia, de uma ponta à outra do gramado.

Caminhando pelo asfalto, as pessoas veem guris saindo de dentro de grandes caixas, a engatinhar, e não dão a mínima. Nada atinge os que passam na rua; nem mesmo um martelo, que certo dia escapou, lenta e inexplicavelmente da mochila de um rapaz, e foi aterrissar na calçada da Avenida Paulista, causando quase nada de transtorno aos que por ali andavam. Apenas deram a volta, sem oferecer ajuda ou achar minimamente estranho. Que tivesse um martelo dentro da mochila, oras. Não é da minha conta.

Há mães que também não acham ser da sua alçada um certo garoto que cutucava a saia e a paciência dos passageiros do metrô, tentando convencer a referida progenitora a correr com ele para fora do vagão. Queria porque queria sair de lá e entrar no trem oposto, que ia para o Jabaquara e estava vazio; só para depois sair correndo de novo quando a porta abrisse e tomar, mais uma vez, o metrô para o Tucuruvi. Movido por nenhum motivo coerente, é claro. Apenas porque parecia algo bacana à beça - para a criança, não para os demais paulistanos irritados ou para sua mãe, que suspirava fundo e pedia para que ele falasse mais baixo, por favor, os moços ali estão reparando.

Em São Paulo, as pessoas morrem no meio do caminho, atravessam a rua nas horas que não deveriam e os prédios desabam, atrapalhando o tráfego. Na opinião dos taxistas, a esquina da Alameda Campinas com a Paulista é o lugar mais fácil para se atropelar transeuntes. Já no cruzamento entre as Ruas Humberto I e Conselheiro Rodrigues Alves, na Vila Mariana, os carros têm 3 minutos para circular - e as pessoas, pouco mais do que 2 segundos.

Em São Paulo, os pedestres não existem; bem como as cadeiras de rodas, os mendigos (meu nome é Francis e estou vendendo drops), as árvores e as bicicletas. Os poucos que transitam pelas ruas estão indo de um lugar a outro, preocupados com a hora do estacionamento. Nas calçadas da avenida Paulista, não se pode andar em paz sem trombar com um guardinha bravo, que normalmente apita na orelha dos que passam e os obrigam a parar. Tudo para que os carros de vidros fumê possam atravessar a calçada, rumo aos estacionamentos.

Alguns ainda resistem: todos os últimos sábados do mês, um grupo de jovens promove uma Bicicletada pelas avenidas de São Paulo e questionam a utilização das vias públicas. Vestem uma máscara branca de enfermagem e saem por aí, com seus veículos alternativos (sejam patinetes, pogobóis, skates, monociclos, bigas ou pula-saco). “Não estamos atrapalhando o tráfego, nós SOMOS o tráfego”, diz o slogan do Reclame As Ruas, movimento internacional no qual se baseou a Bicicletada paulista. A favor das aglomerações e das festas, sempre no meio da avenida.

A cada ano, cerca de 180 mil pessoas tiram a carteira de habilitação do Detran (Departamento de Trânsito). Quinhentos mil novos automóveis entram em circulação na cidade. Toda esta multidão, atordoada, decide dispor de seu direito de ir e vir geralmente ao mesmo tempo, provocando congestionamentos que já chegaram a somar 240 quilômetros, em um feriado de 1996. A distância, para se ter uma idéia, equivaleria a 3 milhões de potinhos de Yakult, empilhados um a um, embora a comparação não faça qualquer sentido. No ano 2000 houve, em São Paulo, um acidente a cada 2,9 minutos; um atropelamento a cada 44,4 minutos; um morto a cada 5,9 horas. Todos devidamente contabilizados, etiquetados e despachados - em 2002, uma das vítimas foi um pacato cavalo, atropelado no meio de uma rua do Morumbi pela cantora Sula Miranda.

A balbúrdia da cidade encontra seu buraco negro todas as sextas-feiras à noite na praça de alimentação do Shopping Metrô Tatuapé - onde reina o silêncio quase absoluto. Desde que foi inaugurado, o shopping virou ponto de encontro de deficientes auditivos, que passam a noite se comunicando em silêncio, através da linguagem de sinais. Em algumas ocasiões já chegou a haver mais de 200 deficientes auditivos no local.

São Paulo é uma cidade em que ninguém tem o direito de se surpreender, a não ser os loucos, as crianças e os velhos. Mesmo que haja tanto a ser descoberto. Mesmo que existam tantas cidades nas sombras da São Paulo que sai nos jornais.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Dos Pés da Bárbara

- Bárbara me conta uma história?

Alguém pediu.

Desejo prontamente atendido, uma história com requintes clássicos e beleza envolvente, esse é o clipe novo da Bárbara Eugênia. Participações mais que especiais de Tatá Aeroplano, Dudu Tsuda, Junio Barreto e Iara Abigalil Furuse para compor o grand finale.

sábado, 26 de maio de 2012

Morder-te o Coração

Percebi que não indicamos muitos livros por aqui, que coisa mais feia, afinal, é a eles que recorremos no final (no início e no meio também). Morder-te o Coração é um livro português sobre encontros e desencontros, sobre o que ficamos esperando ou imaginando do que é passado, sobre o que realmente acontece quando o passado volta.

Uma sensibilidade incrível vinda dos dois lados, uma inconstância, um vazio, mas uma beleza tão marcante. A quem interessar, deixei o release logo a abaixo. Se fiz bem meu trabalho e interessar mais ainda o que Patrícia Reis tem a dizer, você encontra o livro bem fácil na Livraria da Cultura (não procurei pra saber, então se não encontrarem, perdoem a falha).


No labirinto difícil do amor, um homem acredita ter encontrado a sua outra voz, o seu avesso: uma mulher de quem nada sabe, apenas um conjunto de mentiras, pequenas e grandes, que ela construiu para melhor servir um amor de verão. Para ele – o homem desta história –, o sentimento tem a força de uma vida inteira. 
Depois de perdê-la, ele a procura como se nessa busca estivesse a sua essência, o melhor de si. Procura pelo mundo inteiro, pelos países que ela confessou ter conhecido (terá?), pelas cidades que relatou com paixão. De uma ilha portuguesa a Veneza, o homem perde o rastro dela e perde-se na tristeza infinita de saber que o seu destino falhou. O amor visto por um homem tem o poder e a dor das coisas maiores. 
Em Estocolmo, na cidade fria, o personagem refaz a sua forma de viver, de estar com os outros. Encontra uma outra mulher, que não sendo ela, a mulher da sua vida, é alguém que pode abraçar todos os dias. Uma mulher que não faz perguntas, silenciosa, que bebe demais e que o empurra para um triângulo amoroso com uma amiga de origem angolana. 
Há, em Morder-te o coração, a procura do sexo como instrumento de sobrevivência, como mais-valia de calor humano que nos protege e defende da solidão. 
Entretanto, em Portugal, a primeira mulher faz o relato da sua infância, do dia em que perdeu o coração, a mãe, o alcoolismo do pai, os homens que a violentaram e perseguiram, o desejo de recomeçar, a tentação da mentira, o fascínio da fotografia, uma tentativa de suicídio. As duas histórias misturam-se. Ele e ela, e ainda ele com mais duas mulheres. 
Por mero acaso, ele encontra o rosto do amor na internet e foge de Estocolmo numa derradeira tentativa de cumprir o seu destino de felicidade. Porque acredita que ainda é possível. Porque há acontecimentos maiores do que a razão. O que sucede depois são uma sucessão de pequenos acontecimentos que marcam em definitivo os destinos dos personagens. 
"Morder-te o coração" não é uma clássica história de amor. É fruto do tempo alucinado em que vivemos. Para o melhor e para o pior.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Tarde musical com Otto

O Otto participou do projeto Tardes Musicais no Espaço da Natura ontem. O finzinho de tarde foi lindo, muita  música nordestina interpretada pelo mais sedutor dos cantores. O Espaço Natura é um lindeza de lugar,  fica ali na Oscar Freire, aqui em SP. Para conferir basta ver as fotos aqui e na nossa página e ficar com vontade de fazer uma visitinha .

Voltando ao Otto, o cantor está prestes a lançar seu novo álbum The Moon 1111 e já tem até um pedacinho de música nova surgindo por aí (confira um pouquinho mais abaixo.





The Moon

domingo, 13 de maio de 2012

Vampira del Sol


Exposição de ilustrações da artista Karina Buhr, fotos: Maria Eduarda Carvalho.





Lembra daquela delícia de pedaço do mundo de nome Vila Madalena? Pois é, ontem passei lá pela Vértices Casa que fica na Vila e se já não bastasse a beleza natural do espaço rolou também uma exposição da Karina Buhr


Sim, Karina Buhr, conhecida pela sua carreira de cantora, Karina é na verdade uma multi-artista, já flertou com teatro, literatura e agora mostra seus dons para a ilustração. Se não bastasse tanto a tarde ainda contou com a discotecagem da Bárbara Eugênia, sabe a Bárbara Eugênia que compôs aquela música que é a inspiração base desse blog? Pois é.

A cobertura completa sai logo logo pelo site SpressoSP, mas aqui por enquanto você vê umas fotos do que rolou nessa tarde pra lá de especial.







sexta-feira, 11 de maio de 2012

Passos na Vila

Colaboração Mikaele Teodoro




Não é novidade nenhuma que estamos em novos ares, mas ainda é tudo muito recente, por isso acaba que ainda conheço bem pouco da cidade de São Paulo, mas o pouquinho que conheço é incrível!

As fotos a seguir são do meu trajeto na Vila Madalena, o bairro mais que charmoso onde estou trabalhando.

Não há nem muito a dizer, os dias tem sido lindos e tranquilos. É assim, uma dia a gente desce demais na Rua Harmonia e se depara com uma papelaria linda, no outro vamos direto pra Ruthinha, o restaurante mais acolhedor de todos e de vez em quando (ou de vez em nuca?) Faz até um solzinho para iluminar as fotos.

E se der tempo ainda passamos pela pracinha vizinha.

As estação de metrô tem poesia nas paredes, escadarias inundadas de cores e grafites.

E a vida é calma.







P.s: Tem muito mais fotos lá na nossa página, corre lá!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Tatuando as ruas

Todo sumiço é justificável. Depois de um longo tempo resolvendo pendências de mudança (o Viver de Chamego agora mora em São Paulo!) eis que o bom filho a casa volta.

E é claro que as experiências dessa nova fase se fazem muito marcantes. São Paulo é uma cidade que:

1. Cresce para o alto
2. É completamente tatuada, ou grafitada, ou pichada, como preferirem.


Mas por mais que a inspiração tenha vindo daí a referência veio de longe. Não muito tempo atrás vi circular por aí os grafites de uma moça lá de Belém do Pará, vi e adorei e não sei como estou compartilhando aqui só agora.


Antes tarde do que nunca, Drika Chagas é uma artista fantástica. Seus trabalhos marcados pela delicadeza e feminilidade encantam ainda mais as ruas Paraenses, um achado incrível logo ali no seu perfil do Facebook.