sábado, 11 de outubro de 2014

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por Vitor Melo
Serge e Jane


'da loucura deste teu riso,
do teu amor impreciso,
do teu olhar indeciso,
do teu espírito narciso,
vos digo: de ti eu preciso!
vou embaralhando,
os nossos cílios,
projetando,
os nossos filhos,
construindo,
os nossos trilhos,
enquanto,
você vai fugindo,
no colapso do tempo,
na delicadeza da saudade,
nos versos que vão escapulindo,
do meu jeito,
menino,
de te contar a verdade!
e por sinal,
me diz qual é o mal,
de te desenhar no meu mapa astral?
de incluir você,
no meu delírio semanal,
de pedir aos céus,
que me tornes vendaval,
pr'eu cair,
pendurado,
em teu varal,
ofertando-lhe trezentos beijos,
como recital..'

se o vento escutasse minhas preces!

Destituída de título.

domingo, 10 de agosto de 2014

72 X Caetano: O início.


É de Caetano Veloso a primeira música que me recordo de ter me apaixonado. A canção, O Leãozinho, até hoje me remete a sábados ensolarados de faxina onde eu poderia escolher uma música em duas ocasiões, ou logo pela manhã quando a sala ainda não estava sendo arrumada ou a tarde depois de casa limpa e banho tomado. Nessas situações circulavam pela minha onda de interesse É O Tchan, Sandy & Junior e outras criancices, mas sobretudo Caetano que pra mim ainda era o jovem da imagem estampada na capa da coletânea (que por acaso se chama 'Minha História').

Mas esse papo já tá qualquer coisa... Voltamos a falar do leão, nascido dia 7 de Agosto que completou recentemente 72 anos. Mais de sete décadas cheia de histórias e canções que em partes construíram minha trajetória também. Por isso, antes tarde do que nunca aqui vai minha singela homenagem dividida em três.


O início

De cara resolvi colocar minhas 24 canções favoritas, tentei não repetir os álbuns, mas ficou difícil devido a exacerbada paixão que guardo por alguns deles. Como quase tudo que circula por esse blog a temática é a de sempre: O amor. Mas como nem só de amor vivem os compositores, então dividi o trampo entre lado A e lado B pra dar espaço também a uma boa música de pé na bunda (e aqui ficou difícil não aproveitar o Cê inteirinho).

Então lá vai, o Amor e seus (b)ônus de acordo com Caetano Veloso.

Lado A:

Lado B:

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ilustrassom

Coisas que a dona desse blog adora: música e ilustração.
Coisas que a dona desse blog enlouquece quando vê: ilustração baseada em música

Precisa nem dizer do que se trata o "Ilustrassom" né? Um blog de ilustrações com as melhores músicas desenhadas. A dona do blog, Nai, se descreve como "casada com o design e amante da música" quer coisa melhor?

Quer ver qual é o resultado dessa bigamia?







Gostou? Tem mais aqui!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Textura de areia, calor de UVA e gosto de sal

por G.C



É inverno, mas aqui os nativos comemoram sua localização privilegiada nos trópicos, o céu está limpo e o dia claro. Claro e convidativo a todos os desejos da canção. Ando mais alguns metros e já te avisto, sentada sobre a canga estirada na areia.

Me aproximo e você sorri, em poucos segundos já está pendurada em meu pescoço. A boca gelada contrasta com o corpo quente, choque térmico, um beijo com sabor de coque elétrico. A maciez da pele em algumas partes do corpo cede lugar para a textura da areia e os cabelos já molhados, deixam escorrer pequenos fios de água, um minúsculo rio entre suas costas qual atrapalho o curso com a palma das mãos.

Você volta ao tecido estirado, toma mais um gole da cerveja, rapidamente cumprimento outros e parto na direção do mar, mas o pensamento fica. Os olhos fitam a imensidão do azul, mas na cabeça a figura da sua pele marrom, do ouro sol e da mistura bronze que se origina dessa relação. As ondas atingem meus pés, vão e voltam algumas vezes em seu próprio ritmo descoordenado.

Você me lê a cabeça, se aproxima e de repente beija o meu ombro, não diz nada, acaricia minha pele e o toque é mais quente que os raios UVA. Eu te pego pelo braço e a partir daí passamos a construir as memórias mais frescas daquele dia. Seu corpo desaparecendo no azul, seu sorriso entre a espuma do mar, suas mãos no rosto ao emergir de um mergulho, o gosto do sal na sua pele.

Foi só mais um final de semana na sua vida, na minha, na longa existência do oceano, mas por um momento formamos os três a perfeita simetria. O suficiente pra eu guardar como um registro, um fragmento que define o que é amor.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Tudo que é vivo morre: Romance d'a Pedra do Reino

O jovem Ariano


Ave Musa incandescente
do deserto do Sertão!
Forje, no Sol do meu Sangue,
o Trono do meu clarão:
cante as Pedras encantadas
e a Catedral Soterrada,
Castelo deste meu Chão!

Nobres Damas e Senhores
ouçam meu Canto espantoso:
a doida Desaventura
de Sinésio, O Alumioso,
o Cetro e sua centelha
na Bandeira aurivermelha
do meu Sonho perigoso!

 Ariano Suassuna.

Esse mês tem sido difícil para a literatura e pra minha história com ela também. Lembro que lá no ensino fundamental Rubem Alves me aproximou das crônicas e por consequência do Jornalismo. Não vou saber explicar a conexão exata, só sei que foi assim.

Alguns anos antes Ariano já tinha entrado na minha vida, tinha e não tinha. Assistia ao Auto da Compadecida, que pelo menos na minha memória, foi tradicionalmente o filme do dia 1º de Janeiro durante alguns anos. Na minha infância a presença do filme, o aniversário de minha mãe e o baba de saia jogado por meu tio faziam dessa data a mais divertida do ano.

Somente anos mais tarde já no ensino médio que tive contato com o livro de fato. Uma das coisas que o acaso fez esbarrar em mim na pequena biblioteca do Cefet.

Por essas e por outras Julho é triste, frio e não sabe se chove ou se chora em silêncio. Mas seguimos no mundo onde tudo o que é vivo, morre.

Dê Menor Importância! (ou Assimile as cores desta canção)

por Memorable Quotes

"Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre"



São 4 horas da manhã e você não consegue dormir. Não há informação alguma. O pensamento viaja por todas as possibilidades. Sono já não existe mais. Onde estão os filmes monótonos? Vem o suor, a cabeça roda, ouve o som imaginário na casa do vizinho. Por onde andará? O que estará fazendo agora? Pensando em que? As perguntas são mesmo essas? Doente. Disseram que você está e você não acreditou. Doente é como você se sentirá em instantes, se cair na real. Mas qual é a real de tudo isso? Existe uma estratégia pra resolver? Aqui vem a minha opinião: não pense! Paul já disse "live and let die". Lembre do acaso e do seu poder. Fique firme. Seja livre e aberto pra algum raio de sol que está vagando por aí e você ainda nem sabe. Qual é mesmo a capital daHungria? Faz frio nas Filipinas? Quantas suecas você já beijou? Vaasssto mundo!

“There's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see you.”*



Quando o seu pai morreu um amigo disse: está doendo agora e vai doer ainda mais, mas você vai sobreviver. No dia que esse amigo disse isso você nem percebeu que a vida toda é mesmo assim. Aprenda a lidar melhor com as perdas e às vezes desista! Lembre que um dia você já foi a pessoa que, de uma hora pra outra, deu um fora em alguém que, também de uma hora pra outra, virou grudenta.

"Ficou um papo de otário, um papo
É tão difícil, tão simples
De repente ser uma coisa tão grande
Ia sendo bom
Difícil, tão fácil
De repente ser uma coisa
Tão grande
Da maior importância"

Mas, voltando ao começo, já que passamos essas últimas linhas e você ainda não esqueceu: Correu a madrugada insone e veio o outro dia. Alguma informação ainda não apareceu e nem adianta pular a fogueira, por mais seguro que você ache. Sabe aquela futucada na ferida? Desista! Não, isso não é um discurso pessimista. É real. Guarde um pouco da sua dignidade pra você mesmo. E sim, existem histórias especiais que valem uma vida. Ou pelo menos a gente acha que vale. Também existem sintonias. Mas saiba que existem interferências. Lembre do caos sem perder a efemeridade de vista. E você não tem nada haver com isso.

"Há de haver um jeito qualquer, uma hora!
Há sempre um homem
Para uma mulher
Há dez mulheres para cada um
Uma mulher é sempre uma mulher etc. e tal"

Vou te contar um segredo: ela nem se importava tanto assim. Então pra que tanto querer? Vai ser uma dureza, mas vai passar. E você vai viver pra mais coisas. E pra outras coisas. Reclame do clichê com a vida, não com o cantor.

"E se na vida tudo não valer
Eu vou procurar você
Pra dizer que não deu certo
Não bonito nem correto
Mas que a vida é mesmo assim
Assimile as cores desta canção"

Leve as coisas menos a sério. De forma leve. E na dúvida? Nunca se esqueça: Durma!

*"Há um pássaro azul em meu peito
 que quer sair
 mas sou duro demais com ele, 
eu digo, fique aí, 
não deixarei que ninguém o veja."

Agora são 9 da manhã. O seu celular acaba de vibrar...

domingo, 20 de julho de 2014

Sobre Montaigne e Amizade

“O amor é o desejo de alcançar a amizade de uma pessoa que nos atrai pela beleza” Montaigne

Iggy Pop e Debbie Harry


O escritor francês Michel Eyquem de Montaigne tinha o hábito de reler seus ensaios e republicar os livros com suas ideias comentadas e/ou reescritas. Essa era uma forma de renovar os ares de seu trabalho, manter os ideais atuais, a mente alinhada com seus frutos.

Em um de seus escritos Montaigne fez uma dedicatória ao amigo La Boétie, filósofo também francês que morreu jovem.  Em uma das citadas republicações, o escritor resolveu ampliar a dedicatória que dizia, simplesmente, "ao amigo La Boétie" e acrescentou: "Parce que c'etait lui" (Porque era ele). 

Em uma nova releitura, anos mais tarde, o autor adicionou ao lado da página: "Parce que c'etait moi" (Porque era eu). 

Outro tempo depois depois, ainda sobre a amizade com La Boétie, Montaigne disse: 

“Na amizade a que me refiro, as almas entrosam-se e se confundem numa única alma, tão unidas uma à outra que não se distinguem, não se lhes percebendo sequer a linha de demarcação. Se insistirem para que eu diga por que o amava, sinto que não o saberia expressar senão respondendo:porque era ele, porque era eu.”

Aos amigos que assim receberam esse título pela simples equação: "Porque era el@, porque era eu".